INPA aprova proposta no CNPq: nasce o projeto HerbSpectra-Amazônia
Tem notícia boa chegando da floresta!
O CNPq divulgou recentemente o resultado da Chamada MCTI/CNPq nº 03/2025 - Pró-Amazônia, e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) teve três propostas aprovadas — entre elas, uma que nos enche de orgulho: o projeto “Rede de Herbários Espectrais da Amazônia: Espectroscopia e inteligência artificial para a identificação automatizada da biodiversidade em herbários amazônicos – HerbSpectra-Amazônia”, coordenado pela Dra. Flávia Durgante, cuja equipe e objetivos estão diretamente conectados ao espírito do SpectraPop.
Essa aprovação representa um marco para a modernização das coleções botânicas amazônicas e para o avanço da espectroscopia como ferramenta complementar de identificação da biodiversidade. E, claro, é uma grande conquista coletiva para todas as instituições parceiras brasileiras e internacionais envolvidas.
O que é o HerbSpectra-Amazônia?
O projeto propõe algo inédito no Brasil: criar a primeira rede internacional de herbários amazônicos equipados com tecnologia de espectroscopia NIR e treinados para padronizar a leitura espectral de plantas em coleções científicas.
A ideia central é simples: digitalizar, de forma padronizada e acessível, as assinaturas espectrais de plantas amazônicas, treinar algoritmos de inteligência artificial para reconhecer espécies automaticamente, modernizar a taxonomia botânica, tornando-a mais rápida, reprodutível e alinhada às tecnologias digitais emergentes.
Para um bioma com mais de 15 mil espécies de plantas, onde a identificação tradicional demanda tempo, especialistas e condições ideais, a combinação de IA + espectroscopia pode mudar tudo.
Uma rede amazônica e internacional de colaboração
A proposta foi enviada com o apoio de 16 instituições nacionais e internacionais, mostrando o alcance e a relevância da iniciativa. A rede de herbários executores inclui:
Cinco herbários brasileiros
INPA – Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Manaus, Amazonas) - núcleo coordenador
Herbário HSTM – Universidade Federal do Oeste do Pará (Santarém, Pará)
Herbário MG – Museu Paraense Emílio Goeldi (Belém, Pará)
Herbário UFACPZ – Universidade Federal do Acre (Rio Branco, Acre)
Herbário UFRR – Universidade Federal de Roraima (Boa Vista, Roraima)
Cinco herbários de países da OTCA (Bolívia, Colômbia, Peru e Equador)
Todos já manifestaram interesse em digitalizar seu acervo, alguns inclusive iniciando a aquisição de espectrômetros MicroNIR.
- Herbário COAH – Instituto Amazónico de Investigaciones Científicas SINCHI (Bogotá, Colômbia)
- Herbário HUTI – Universidad Tecnológica Indoamérica (Quito, Equador)
- Herbário LPB – Instituto de Ecología de la Universidad Mayor de San Andrés/ Museo Nacional de Historia Natural (La Paz, Bolívia)
- Herbário QCNE – Museo Ecuatoriano de Ciencias Naturales del Instituto Nacional de Biodiversidad (Quito, Equador)
- Herbário TKN – Instituto de Investigación de la Universidad Nacional Jorge Basadre Grohmann (Tacna, Peru)
E mais:
Instituições internacionais de peso, integrantes do iHerbSpec, como o Herbário de Harvard, o Jardim Botânico de Missouri, a Universidade de Aarhus e o Instituto de Tecnologia de Karlsruhe, também participam oferecendo expertise, treinamento e padronização global.
Por que isso importa?
A Amazônia é uma das regiões mais diversas do planeta — mas também uma das mais desafiadoras para taxonomistas. A espectroscopia no infravermelho próximo (NIR):
é rápida
não destrutiva
menos custosa comparada aos métodos baseados em DNA
e capaz de reconhecer características químicas e físicas das plantas com precisão impressionante.
Pesquisas recentes mostram que assinaturas espectrais podem corroborar resultados moleculares, prever características funcionais e até identificar espécies com alta acurácia.
Com milhares de amostras sendo digitalizadas em diferentes herbários amazônicos, o projeto criará o maior banco de dados espectral da flora amazônica, algo inédito em escala mundial.
E os modelos de IA?
Outro eixo central do projeto será o desenvolvimento de modelos de aprendizado de máquina — de Random Forest a redes neurais e deep learning — para reconhecer espécies, prever traços funcionais e testar a transferibilidade dos modelos entre herbários de diferentes países.
O time prevê ainda:
uso de XAI (SHAP, LIME) para interpretar modelos
pipelines documentados e publicados no GitHub e Zenodo
acurácia mínima de 85% na identificação de espécies
Uma verdadeira revolução tecnológica para a botânica amazônica!
Capacitação para toda a Amazônia
O projeto tem forte caráter formativo, incluindo:
cursos online (em português e espanhol) sobre espectroscopia em herbários
oficinas presenciais em nove herbários amazônicos
seminários de IA e biodiversidade
um curso internacional de 40h em IA aplicada à biodiversidade
criação de materiais para divulgação científica e treinamento técnico
Ou seja: o projeto não só faz ciência, como forma pessoas, constrói redes e moderniza coleções inteiras.
Um pouco do que vamos entregar
O HerbSpectra-Amazônia prevê, entre outros produtos:
Rede internacional de herbários espectrais consolidada
Treinamento de mais de 100 pessoas
Banco de dados espectral padronizado
Modelos de IA para identificação de espécies
Publicações científicas e scripts reprodutíveis
Workshop internacional de encerramento
O cronograma se estende por 24 meses, com impacto duradouro para toda a região amazônica.
Por que isso também é uma vitória do SpectraPop?
O SpectraPop, financiado pela FAPEAM, tem sido fundamental para popularizar o uso da espectroscopia vegetal na Amazônia, testando equipamentos acessíveis como o MicroNIR e levando a técnica a estudantes, técnicos e comunidades.
Agora, com o HerbSpectra-Amazônia, esse impacto se multiplica: o que começou como um esforço pioneiro em Manaus se torna uma rede pan-amazônica.
Celebramos juntos!
Com orgulho e entusiasmo, celebramos esta conquista ao lado do INPA e de todos os parceiros.
O HerbSpectra-Amazônia representa o futuro da botânica amazônica — um futuro mais rápido, mais integrador, mais tecnológico e mais colaborativo. Em breve compartilharemos novidades: treinamentos, oficinas, cursos e os bastidores da construção desse megaprojeto.
A ciência amazônica segue viva, forte e inovadora. E nós seguimos juntos iluminando a biodiversidade… um espectro por vez.😅
