Novo artigo do projeto SpectraPop confirma o potencial da espectroscopia na Amazônia
Você sabia que identificar árvores na Amazônia é um dos maiores desafios para a ciência e para o manejo florestal?
Com milhares de espécies e pouquíssimos especialistas taxonômicos, erros de identificação são comuns e podem prejudicar a conservação da biodiversidade e a economia da floresta. Mas e se pudéssemos identificar uma árvore apenas pela forma como ela reflete a luz?
É com muito orgulho que divulgamos a mais recente publicação produzida no âmbito do nosso projeto! O artigo “Exploring the potential of field spectroscopy for tree species identification in different Amazonian forest ecosystems”, em Português “Explorando o potencial da espectroscopia de campo para a identificação de espécies arbóreas em diferentes ecossistemas florestais da Amazônia”, liderado por Hilana Hadlich e com participação da nossa coordenadora Flávia Durgante e equipe, acaba de ser publicado na revista de alto impacto Global Ecology and Conservation.
Pesquisadoras Caroline Mallmann (esquerda) e Hilana Hadlich (direta) e os assistentes de campo, coletando espectros de casca em uma floresta de terra-firme no Sítio ATTO. Foto cedida por Hilana Hadlich.
O que o estudo descobriu?
A pesquisa testou o uso de um espectrorradiômetro portátil (o ASD FieldSpec 4) para ler a “assinatura espectral” de árvores em três ecossistemas distintos da Amazônia Central: a floresta de terra-firme, a campinarana (solo de areia branca) e o igapó (floresta inundável).
Os pesquisadores coletaram dados de três partes diferentes das árvores: casca externa (direto no tronco), casca interna (após retirar superficialmente a casca externa), e folhas frescas.
Resultados surpreendentes
O estudo mostrou que a espectroscopia é uma ferramenta poderosa! Os modelos conseguiram diferenciar as espécies com altíssima precisão:
• 🍃 Folhas Frescas: Foram as campeãs, com precisão entre 92,4% e 100% na identificação das espécies.
• 🪵 Casca Interna: Se mostrou uma excelente alternativa para o campo! Como coletar folhas no alto da copa é difícil e caro, a casca interna atingiu precisão de 91% a 97%, quase tão boa quanto as folhas e muito mais acessível.
• 🌳 Modelo Geral: Uma das maiores descobertas foi que é possível criar um modelo “geral” que funciona para todos esses ecossistemas juntos, mantendo uma alta taxa de acerto (até 98% para folhas e 97% para casca interna).
Por que isso é importante para o SpectraPop?
Este trabalho valida cientificamente o objetivo central do nosso projeto: popularizar o uso da assinatura espectral para a identificação de espécies de alto valor comercial.
Os resultados provam que essa tecnologia funciona não apenas em um local, mas em diferentes tipos de floresta e até mesmo quando testada em árvores localizadas a centenas de quilômetros de distância (validação externa). Isso abre portas para um futuro onde inventários florestais serão mais rápidos, precisos e tecnológicos, apoiando diretamente o manejo sustentável no estado do Amazonas.
Quer saber mais?
Este estudo contou com financiamento da FAPEAM (Edital Mulher Faz Ciência) e apoio do projeto ATTO (Amazon Tall Tower Observatory) e do grupo de pesquisa MAUA (Ecologia, Monitoramento e Uso Sustentável de Áreas Úmidas).
🔗 Acesse o artigo completo aqui: https://doi.org/10.1016/j.gecco.2025.e03970 ![]()
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